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NEJM seleciona os 10 artigos de 2017 que todo médico deve ler

Conheça as principais atualizações em terapêutica e propedêutica do ano

O New England Journal Of Medicine (NEJM) selecionou os 10 artigos mais relevantes de 2017 que todo médico deve ler para se manter atualizado. Veja abaixo um resumo sobre cada um deles.

Radiação com ou sem terapia antiandrogênica no câncer de próstata

Radiação com terapia antiandrogênica pode melhorar o controle do câncer de próstata e prolongar a sobrevivência global? Em um ensaio duplo-cego, controlado por placebo, conduzido entre 1998 e 2003, pesquisadores selecionaram 760 pacientes elegíveis para serem submetidos à terapia de radiação e terapia antiandrogênica (24 meses de bicalutamida a uma dose de 150 mg/dia) ou comprimidos diários de placebo durante e após a radioterapia.

Os achados mostraram que os participantes que receberam terapia antiandrogênica apresentaram taxas significativamente maiores de sobrevivência global a longo prazo e menor incidência de câncer de próstata metastático e morte por câncer de próstata.

Sobrevivência e neurodesenvolvimento entre prematuros extremos

Como o aumento das taxas de sobrevivência entre bebês nascidos no limite da viabilidade está relacionado aos desfechos no desenvolvimento neurológico na primeira infância? Em um estudo, pesquisadores compararam a evolução da sobrevivência e do desenvolvimento neurológico entre mais de 4 mil bebês nascidos de 22 a 24 semanas de gestação, entre 2000 e 2011.

A porcentagem de lactentes que sobreviveram ao parto aumentou de 30% em 2000 para 36% em 2011. A porcentagem de lactentes que sobreviveram ao parto sem comprometimento do desenvolvimento neurológico aumentou de 16% em 2000 para 20% em 2011. A porcentagem de lactentes que sobreviveram ao parto, mas apresentaram comprometimento do desenvolvimento neurológico não mudou significativamente entre os anos.

Osimertinibe ou platino-pemetrexede no câncer de pulmão com mutação positiva EGFR T790M

Entre os pacientes com câncer de pulmão com mutação positiva EGFR T790M, os inibidores do sítio da tirosina-quinase associada ao EGFR (EGFR-TKI) são a terapia padrão de primeira linha. Apesar da melhora na sobrevida livre de progressão (SLP) e das taxas de resposta elevadas quando comparados à quimioterapia, ocorre o desenvolvimento de resistência a esses agentes e novo crescimento tumoral.

Osimertinibe é a terceira geração de inibidores do sítio da tirosina-quinase associada ao EGFR (EGFR-TKI) indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão com mutação positiva EGFR T790M, que progrediram quando em uso ou após a terapia com EGFR-TKI.

O estudo AURA3 foi realizado com o intuito de demostrar a superioridade de osimertinibe em relação à terapia platino-pemetrexede nessa população (n = 419). Os resultados mostraram que o uso do osimertinibe apresentou uma eficácia significativamente maior do que a terapia platino-pemetrexede, apresentando melhor taxa de resposta e maior sobrevida livre de progressão. Adicionalmente, o perfil de segurança foi favorável.

Desfechos do tratamento com imatinibe para leucemia mieloide crônica

O DASISION (Dasatinib Versus Imatinib Study in Treatment-Naıve Chronic Myeloid Leukemia Patients) foi um estudo randomizado de fase III que comparou a eficácia e a segurança do dasatinibe com imatinibe em pacientes com leucemia mieloide crônica (LMC) na fase crônica recentemente diagnosticada.

Para o estudo, 259 pacientes foram randomizados para receber dasatinibe e 260 para imatinibe, totalizando 519 pacientes avaliados. As taxas de resposta molecular maior e resposta molecular profunda em 5 anos cumulativos foram de 76% e 42% para o grupo dasatinibe e 64% e 33% para imatinibe, respectivamente. A sobrevida global estimada em 5 anos foi de 91% para dasatinibe e 90% para imatinibe. Observou-se que mais pacientes tratados com imatinibe morreram de causas relacionadas à LMC.

Os achados corroboraram com a eficácia e segurança do uso de dasatinibe em pacientes com LMC na fase crônica previamente publicados na literatura. Dessa forma, este medicamento pode continuar sendo considerado uma terapia padrão de primeira linha.

Mepolizumabe ou placebo para granulomatose eosinofílica com poliangeíte

Mepolizumabe, um anticorpo monoclonal anti-interleucina-5, reduz a contagem de eosinófilos no sangue e pode ter valor no tratamento da granulomatose eosinofílica com poliangeíte.

Para esse ensaio multicêntrico de fase III, duplo-cego, pesquisadores randomizaram 136 participantes com granulomatose eosinofílica recidiva ou refratária com poliangeíte para receber 300 mg de mepolizumabe ou placebo, administrado por via subcutânea a cada quatro semanas, mais cuidados padrão, durante 52 semanas.

Participantes que receberam mepolizumabe tiveram mais semanas em remissão e mais pacientes em remissão, permitindo reduzir o uso de glicocorticoides. Apenas metade dos participantes tratados com mepolizumabe apresentou remissão definida por protocolo.

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Poluição do ar e mortalidade

Pesquisadores selecionaram uma coorte aberta com mais de 60 milhões de beneficiários do Medicare, sistema de seguros de saúde norte-americano, entre os anos 2000 a 2012, para investigar os efeitos da poluição no ar sobre a mortalidade.

Aumentos de 10 μg por metro cúbico na atmosfera e de 10 ppb na camada de ozônio foram associados com um crescimento na mortalidade por todas as causas de 7,3% e 1,1%, respectivamente. Quando a análise foi restrita a pessoas-ano, o risco foi de 13,6% e 1%, respectivamente.

Efeitos do sobrepeso e da obesidade na saúde em 195 países

Dados oriundos do Global Burden of Disease (GBD), “estudo-ferramenta” que envolve informações de praticamente todos os países e serve para tentar medir o impacto de diversos fatores de risco/comorbidades na saúde, mostraram como sobrepeso/obesidade evoluíram de 1990 a 2015 em incidência, prevalência e possíveis desfechos associados.

Em 2015, foram estimados que havia 107 milhões de crianças (critério diagnóstico da International Task Force) e 603 milhões de adultos (IMC > 30) obesos no mundo. A prevalência mundial foi de 5% para crianças e 12% para adultos, sendo maiores as taxas específicas para os dois grupos em países desenvolvidos.

No entanto, houve aumento da prevalência de obesidade na maioria dos países nos 25 anos de acompanhamento. Mesmo a prevalência em adultos sendo maior (12% x 5%), o aumento proporcional da taxa de obesos na população infantil foi maior que a de adultos em muitos países.

Tocilizumabe em arterite de células gigantes

Em maio desse ano, a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória para medicamentos dos EUA, aprovou a primeira droga para o tratamento de adultos com arterite de células gigantes, o tocilizumabe. A eficácia do fármaco foi estabelecida em um ensaio clínico de um ano. Pesquisadores randomizaram 251 pacientes para receber tocilizumabe subcutâneo a uma dose de 162 mg semanalmente ou a cada duas semanas, combinado com prednisona por 26 semanas, ou placebo combinado com prednisona por 26 semanas ou 52 semanas.

A remissão prolongada em 52 semanas ocorreu em 56% dos pacientes tratados com tocilizumabe semanalmente e em 53% dos tratados com tocilizumabe a cada duas semanas, em comparação com 14% do grupo placebo. Um maior acompanhamento é necessário para determinar a durabilidade da remissão e a segurança do medicamento.

Vírus Epstein-Barr (EBV) para rastreio do câncer de nasofaringe

Pesquisadores realizaram um estudo prospectivo para investigar se a presença de EBV em amostras de plasma é útil para detectar carcinoma nasofaríngeo precoce em pessoas assintomáticas.

Mais de 20 mil participantes foram submetidos à triagem. O EBV foi detectado em amostras obtidas de 1.112 participantes (5,5%) e 309 apresentaram resultados positivos na segunda coleta. Entre eles, 300 foram submetidos a exame endoscópico e 275 a exame endoscópico e ressonância magnética; desses participantes, 34 tinham carcinoma nasofaríngeo. A sensibilidade e especificidade da presença de EBV em amostras de plasma na seleção de carcinoma nasofaríngeo foram 97,1% e 98,6%, respectivamente.

A análise do EBV se mostrou útil no rastreio para câncer de nasofaringe assintomático precoce. O carcinoma foi detectado significativamente mais cedo e os desfechos foram melhores.

Oclusão do FOP ou anticoagulação versus terapia antiplaquetária após AVC

A conduta diante de um paciente com acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, ou com ataque isquêmico transitório (AIT), e com forame oval patente (FOP) é motivo frequente de dúvidas e discussões envolvendo, especialmente, neurologistas e cardiologistas. Qual a melhor medida para evitar novos eventos: fechamento, antiagregação, anticoagulação?

Em um estudo multicêntrico, randomizado e aberto, pesquisadores atribuíram 663 pacientes de 16 a 60 anos que tiveram um AVC recente com FOP a fechamento percutâneo do FOP + terapia antiplaquetária a longo prazo, somente terapia antiplaquetária ou anticoagulação oral.

A taxa de recorrência de AVC foi menor entre aqueles que foram atribuídos ao fechamento de FOP combinado com terapia antiplaquetária. A oclusão foi associada a um risco aumentado de fibrilação atrial.

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